Tema de redação 20N32 e sugestões de leitura – Limites da arte (Enem, Fuvest, Vunesp, Unicamp, UFU e demais vestibulares.)

Fonte da imagem:  Balla, Giacomo (1871-1958) pintor italiano futurista – 1913 – ost – Velocidade do automóvel.

Estudos para o tema de redação 20N32

Palavras-chave – limites da arte, liberdade de expressão, liberdade artística, arte, censura, perseguição política, perseguição religiosa.

Texto 20T125

Texto 20T126

Texto 20T127

Texto 20T128

https://www.b9.com.br/shows/braincast/braincast-246-qual-e-o-limite-da-arte/

Tema de redação 20N32

Limites da arte

Textos de apoio para as situações A e B.

Texto 01.

O que é arte? A arte representa, comunica ou celebra aquilo que retrata? Há limites ao artista? O objeto artístico traduz a vontade do artista? As teorias da arte nos apresentam várias correntes na busca por defini-la. De acordo com o representacionalismo, a arte representa/imita a realidade (Platão e Aristóteles); para o formalismo, a arte é uma forma significante que provoca emoções estéticas no espectador (Clive Bell); já a Teoria Institucional de George Dickie defende que arte é somente aquilo que os entendedores de arte assim o denominarem; e o expressivismo (Collingwood) entende que a arte transmite a emoção do artista.

Mas, como todo conceito, o de arte também mudou ao longo da história. O que se entende por arte hoje não é o mesmo que se entendia na Grécia ou na França iluminista. Falar da produção artística hoje é falar da arte contemporânea, que pretende se desvencilhar dos conceitos da história da arte, ou seja, daquilo que nos foi transmitido como “modelo” de arte. Pensar assim seria legitimar apenas a arte consagrada na história e deslegitimar todo tipo de arte atual.

A arte contemporânea, que vem se desenvolvendo desde a segunda metade do século 20, tem uma cena própria, nem sempre de fácil compreensão, porque nos mostra o desconhecido, o diferente. “É por isto que a arte contemporânea causa constantemente estranheza. Ela nos faz ver, pensar, nos apresenta as coisas de modo insuspeito, inusitado”, nos lembra Pedro Leal ao explicar a teoria do filósofo Henri Bergson. Assim, a arte da contemporaneidade é uma arte que rompe com o que está dado, possibilitando uma nova forma de sensibilidade e de visibilidade que nos mostra algo novo, causando um tipo de incômodo ou estranheza.”

Fonte: https://revistacult.uol.com.br/home/queermuseu-censura-avanco-conservador-democracia/

Texto 02.

“O mundo da arte, eu afirmei, está cheio de falsificações. Falsa originalidade, falsa emoção e falso conhecimento dos críticos ― essas coisas estão todas ao nosso redor em tamanha abundância que dificilmente sabemos aonde olhar para encontrar a arte de verdade. Ou talvez não haja arte de verdade? Talvez o mundo da arte seja só um grande fingimento, no qual todos participamos já que, afinal, não há custos reais, exceto para aqueles como Charles Saatchi, rico o suficiente para esbanjar dinheiro com lixo? Talvez qualquer coisa seja arte se alguém diz que é. ‘Tudo é questão de gosto’, eles dizem. Mas não há nada a se dizer em resposta? Não temos nenhuma maneira de distinguir arte verdadeira da falsa, ou dizer por que a arte importa e de que maneira? Farei algumas afirmações positivas.

Primeiro, contudo, precisamos ignorar os fatores que distorcem nosso juízo. Pinturas e esculturas podem ser adquiridas, compradas e vendidas. Logo, há um vasto mercado para elas e, tenham ou não tenham valor, certamente têm um preço. Oscar Wilde definiu o cínico como aquele que sabe o preço de tudo e o valor de nada. E o mercado da arte é inevitavelmente controlado por cínicos. Puro lixo se acumula em nossos museus, em maioria porque há uma etiqueta com preço. Não se pode ter uma sinfonia ou um romance da mesma maneira que você tem um Damien Hirst. O resultado é que há muito menos falsificação de sinfonias e romances do que nas artes visuais.

As coisas são distorcidas também nos meios de patrocínio oficial. Os Conselhos de Arte existem para subsidiar artistas, escritores e músicos cuja obra é importante. Mas como os burocratas decidem que algo é importante? A cultura diz-lhes que uma obra é importante se é original e se o público não gosta dela. Além do mais, se o público gostasse, qual a necessidade de subsídio?  Patrocínio oficial, assim, inevitavelmente favorece obras que são obscuras, excruciantes ou vazias, em vez daquelas que têm encanto real e duradouro.

Então, qual a fonte desse encanto, e como julgamos se uma obra de arte o possui? Três palavras resumem minha resposta: beleza, forma e redenção.”

Fonte: https://drauziovarella.uol.com.br/entrevistas-2/saude-mental-entrevista/

Texto 03.

“Uma exposição aberta ao grande público é diferente de um evento pequeno e voltado a pessoas de um grupo mais homogêneo. No caso dos eventos menores, pode haver mesmo maior radicalização nas teses, porque certos assuntos já estão previamente conversados. No caso de exposições com grande circulação de público deve mesmo existir um cuidado a mais com os símbolos que representam coletividades porque os discursos ofensivos acabam gerando reações incontroláveis que sempre travam o diálogo.”

Fonte: https://www.nexojornal.com.br/expresso/2017/09/16/Quais-os-limites-da-arte-segundo-tr%C3%AAs-especialistas

 

Texto 04.

“O ser humano não apenas tem limites naturais como a vida em sociedade exige limitações culturais. O que são as leis senão isso? Não podemos dirigir veículos livremente, por exemplo; há uma série de limitações no código de trânsito que nos “oprimem”. E que dizer das limitações do Código Penal? Alguém aí é livre para matar, roubar, estuprar e vilipendiar culto religioso? Não segundo nosso Código Penal. Você pode discordar, achar absurdo etc. e tal, mas se cometer qualquer dessas ações será sancionado, vendo sua liberdade contida.

Se você ainda tem dúvidas se arte tem limite, então faça um breve e singelo exercício de imaginação. Digamos que naquela exposição sexual do Santander Cultural tivéssemos não uma pintura com dois sujeitos currando uma cabra, mas uma performance “artística” com dois depravados currando uma cabra ao vivo. Agora “passou do limite” ou ainda pensa que artista pode tudo?”

Fonte: http://www.gazetadopovo.com.br/blogs/francisco-escorsim/2017/09/19/arte-tem-limite-e-defensor-politicamente-correto/

Proposta de redação 20N32A – dissertação – Fuvest, Vunesp, Uniube, Famema, Famerp, etc.

Em um texto dissertativo, responda a seguinte pergunta: deve haver limites para a arte?

Instruções para a dissertação da proposta de redação A:

  1. A situação de produção de uma dissertação argumentativa requer o uso da norma padrão da língua portuguesa.
  2. O tamanho da redação deverá ser adequado ao concurso pretendido, para tanto é importante que o texto deva ser adequado aos seguintes limites impostos pelas universidades até 2019: entre 20 e 30 linhas (Fuvest), 15 a 33 linhas (Vunesp), 25 e 30 linhas (Uniube), etc. Por isso, é imprescindível que a universidade pretendida seja informada com destaque logo após o código da proposta de redação na folha que será entregue para a correção. Do contrário, a correção levará em consideração a norma mais comum: 25 linhas como mínimo e 30 como máximo.
  3. Dê um título a sua redação.

Proposta de redação 20N32B – dissertação – Enem.

A partir da leitura dos textos motivadores e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija texto dissertativo-argumentativo na modalidade escrita formal da língua portuguesa sobre o tema “A importância do acesso livre e democrático à produção artística no Brasil.”, apresentando proposta de intervenção, que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista.

Instruções para a dissertação no Enem:

  1. O rascunho da redação deve ser feito no espaço apropriado.
  2. O texto definitivo deve ser escrito à tinta, na folha própria, em até 30 linhas.
  3. A redação com até 7 (sete) linhas escritas será considerada “insuficiente” e receberá nota zero.
  4. A redação que fugir ao tema ou que não atender ao tipo dissertativo-argumentativo receberá nota zero.
  5. A redação que apresentar proposta de intervenção que desrespeite os direitos humanos receberá nota zero.
  6. A redação que apresentar cópia dos textos da Proposta de Redação ou do Caderno de Questões terá o número de linhas copiadas desconsiderado para efeito de correção.

Texto (s) de apoio para as situações C e D.

“Neste último domingo, dia 10 de setembro de 2017, um novo dissenso emergiu nas redes sociais brasileiras após o cancelamento da exposição Queermuseu – cartografias da diferença na arte da brasileira. A mostra, que reunia 270 trabalhos de 85 artistas – dentre os quais constam Adriana Varejão, Alfredo Volpi, Alair Gomes, Candido Portinari, Flávio de Carvalho e Ligia Clark, todos reconhecidos e celebrados para além das fronteiras nacionais, em virtude da relevância de sua produção artística –, deveria estar aberta ao público entre os dias 15 de agosto e 8 de outubro, mas foi encerrada pelos responsáveis do espaço Santander Cultural após protestos promovidos pela sociedade civil e alguns grupos organizados, entre eles associações religiosas e o MBL (Movimento Brasil Livre).

O Santander Cultural, que inicialmente havia apresentado o evento como “uma exposição queer, que busca não ditar ou prescrever regras, discute questões relativas à formação do cânone artístico e a constituição da diferença na arte”, chegou a emitir, no mesmo dia em que encerrou as atividades da mostra, uma nota de retratação pública, na qual pondera que “[Nós, o Santander Cultural] ouvimos as manifestações e entendemos que algumas das obras da exposição Queermuseu desrespeitavam símbolos, crenças e pessoas, o que não está em linha com a nossa visão de mundo”.

Em meio a uma avalanche de postagens comemorativas em sua página oficial no Facebook, o MBL afirma que “sob o pretexto de promover a igualdade e tolerância em prol do movimento LGBT, [o Santander Cultural] expôs pedofilia, zoofilia e ofensas à cultura e tradição cristã ocidental”. Em contrapartida, alguns setores da classe artística e da academia, bem como diversas organizações vinculadas à defesa dos direitos LGBTs estão reagindo e se posicionando nas redes sociais contra a decisão de encerramento da exposição, chegando a criar um ato em repúdio, em frente ao imóvel que abriga o espaço Santander Cultural, “em defesa da liberdade de expressão artística, das liberdades democráticas e contra os retrocessos políticos que limitam o exercício de cidadania da população LGBTT”.

Uma vez esclarecida a polêmica que se encerra, cabe destacar que a censura, para além da estrita defesa da moralidade e dos bons costumes – a interdição sobre a sexualidade atravessou todos esses âmbitos censórios, sendo defendida ou institucionalizada durante a maior parte dos últimos cinco séculos de formação da sociedade brasileira – incidiu também para a suposta preservação da ordem política, da religiosidade e da organização social. No Brasil a censura existiu desde os anos 1940 e a partir daquele período esteve sempre ativa, embora funcionando de maneira diferenciada até o fim da ditadura civil-militar. Mesmo hoje, embora abolida pela Constituição Federal de 1988, muitos entendem que ela permanece assombrando a produção artística no país, ainda que de maneira menos escancarada que nos períodos ditatoriais.

Embora a Censura, enquanto órgão institucional formalmente legitimado, tenha sido extinta na segunda metade da década de 1980, a perseguição à sexualidade por argumentos de ordem moral ainda vigora com bastante força no país. Registre-se, que nos anos 1970, a censura foi paulatinamente se desviando das questões políticas para incidir de maneira mais contundente sobre o conteúdo supostamente sexual e claramente moralista das obras de arte no país, fossem filmes, músicas, literatura ou instalações artísticas. Conquanto as Forças Armadas e a Igreja Católica não possam mais ser apontadas como as organizações diretamente catalizadoras dessas empreitadas tradicionalistas, visto que vêm cedendo espaço hoje aos interditos promovidos por outros movimentos, a agenda pautada por essas instituições, de ditames de uma moral sexual ainda bastante conservadora, permanece sendo promovida pela ação de diferentes grupos, incluindo alguns que se identificam como de posicionamento econômico liberal.

É precisamente nesse contexto que se insere a polêmica em torno da exposição Queermuseu, o que nos leva a analisar questões culturais importantes, não apenas no tocante à censura, como também ao próprio conceito de arte. Em nossa “atualidade desconfiada de si própria”, não ignorar as encruzilhadas dos tempos e dos espaços que se apresentam corresponde a um posicionamento político – o de esclarecimento do sentido de quem quer agir, seja na cultura, na arte ou na educação, aponta José Carlos de Paiva. Assim, propomos um debate sobre limites que vêm sendo impostos ao direito e à arte, problematizando nossa atual dinâmica social, posta como democrática, para visibilizar seu alcance e as formas de exclusão resultantes dela.”

Fonte: https://revistacult.uol.com.br/home/queermuseu-censura-avanco-conservador-democracia/

Proposta de redação 20N32C – outros gêneros – Unicamp, UEL, UnB, UFU, etc.

Escreva uma carta de solicitação a um museu de sua preferência em que você sustente sua opinião sobre o fato de ele ser aberto a todas as formas de manifestação artística ou se ele deve criar algum tipo de critério para que determinadas produções não possam ser expostas nesse local.

Proposta de redação 20N32D – outros gêneros argumentativos – Unicamp, UEL, UnB, UFU, etc.

Escreva um artigo de opinião sobre quais poderiam ser os critérios objetivos para que uma obra de arte não possa ser exposta em museu financiado por dinheiro público ou se o estabelecimento desses critérios não seria uma forma de censura e de exclusão do direito livre à expressão de parte da população.

Instruções para as propostas de redação C e D:

Leia com atenção todas as instruções.

  1. Você encontrará três situações para fazer sua redação. Leia as situações propostas até o fim e escolha a proposta com a qual você tenha maior afinidade.
  2. Após a escolha de um dos gêneros, assinale a opção no alto da Folha de Resposta e, ao redigir seu texto, obedeça às normas do gênero.
  3. Se for o caso, dê um título para sua redação. Esse título deverá deixar claro o aspecto da situação escolhida que você pretende abordar.
  4. Se a estrutura do gênero selecionado exigir assinatura, escreva no lugar da assinatura: JOSÉ ou JOSEFA.
  5. Em hipótese alguma, escreva seu nome, pseudônimo, apelido, etc. na folha de prova.
  6. Utilize trechos dos textos motivadores, parafraseando-os.
  7. Não copie trechos dos textos motivadores, ao fazer sua redação.

ATENÇÃO: se você não seguir as instruções da orientação geral e as relativas ao tema que escolheu, sua redação será penalizada.

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