Tema de redação 20N08 e sugestões de leitura – humor (Enem, Fuvest, Vunesp, Unicamp, UFU e demais vestibulares.)

Fonte: fotograma do filme “Coringa”, 2019.

Estudos para o tema de redação 20N08

Palavras-chave – humor, comédia, piada, riso, liberdade de expressão, arte, ofensa, direitos humanos.

Texto 20T27

Texto 20T28

Texto 20T29

Texto 20T30

Humor e Judiciário: como os tribunais brasileiros definem os limites do discurso humorístico na internet

Tema de redação 20N08

Humor

Textos de apoio para as situações A e B.

Texto 01.

“O riso é maior que toda dor.” (Elbert Hubbard, 1856-1915, editor estadunidense.)

Texto 02.

“É amplamente conhecida a história contada pelos humoristas do grupo inglês Monty Python a respeito da origem de um de seus longas-metragens. Interessados em satirizar Jesus Cristo, eles vasculharam os Evangelhos à procura de algo que rendesse piadas, mas acabaram desistindo. ‘Não há como tirar sarro do que ele [Cristo] diz, é coisa muito digna’, afirmou Eric Idle, um dos membros da trupe. O resultado foi ‘A vida de Brian’, cujo enredo gira em torno de uma outra pessoa, contemporânea de Jesus e que é confundida com o Messias. Já os brasileiros do Porta dos Fundos não tiveram a mesma sensibilidade em seu especial de Natal. A primeira tentação de Cristo, que começou a ser exibido em 3 de dezembro pelo serviço de streaming Netflix, mostra Jesus em sua festa de 30 anos (ou seja, prestes a iniciar sua vida pública), na qual fica sabendo que é adotado e que seu pai verdadeiro não é José, e sim o próprio Deus. Um ponto que se tornou especialmente ofensivo para cristãos de diversas denominações é o fato de Jesus ser retratado como homossexual, pois leva um namorado para a festa.

Boa parte das reações ao vídeo, até o momento, tem se concentrado no boicote à Netflix e no pedido para que as pessoas cancelem sua assinatura do serviço. Não é nosso objetivo, no momento, avaliar se esta é uma reação acertada ou não, mas é importante lembrar que, em sociedades democráticas, o boicote é uma expressão de liberdade individual em que a pessoa avalia os prós e contras de consumir determinado produto ou serviço. No caso em questão, trata-se de avaliar se vale a pena abrir mão dos demais conteúdos oferecidos – e que incluem obras com mensagens que muitos cristãos veem como positivas – para não acabar financiando também o que se considera uma ofensa grave. O boicote, inclusive, é ferramenta amplamente utilizada por minorias e outros grupos de pressão, e não pode ser deslegitimado única e simplesmente com base em quem organiza e quem é atingido pela ação.

O tema que nos interessa, aqui, é outro: discutir se, quando o tema é religião, há limites ao alcance da liberdade de expressão e possíveis consequências jurídicas. Diversos países usam abordagens diferentes para o tema. Em uma ponta, está o ordenamento legal norte-americano, que consagra a liberdade quase irrestrita; no entanto, a maioria das outras democracias do Ocidente segue a tradição pós-vestfaliana, surgida com o encerramento das guerras de religião que varreram a Europa nos séculos 16 e 17, e que defende o respeito às diferentes confissões religiosas, inclusive como ferramenta de pacificação da sociedade. A Alemanha, por exemplo, criminaliza a mera ofensa às religiões, o que faria dela uma lei bastante restritiva se não fosse pelo detalhe de exigir que a ofensa possa ‘perturbar a paz pública’. Isso cria uma divisão entre religiões que podem ser ofendidas, pois seus membros reagem de forma não agressiva, e religiões que não podem ser ofendidas, pois a resposta de seus fiéis é violenta – o que nos remete à resposta que um dos membros do Porta dos Fundos, Fábio Porchat, deu em entrevista de 2013 ao jornal O Estado de S.Paulo: ‘não faço piada com Alá e Maomé, porque não quero morrer! Não quero que explodam a minha casa só por isso’.”

Fonte: https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/editoriais/o-porta-dos-fundos-e-os-limites-a-liberdade-de-expressao/

Texto 03.

“No dia 8 de janeiro, o desembargador, Benedicto Abicair, do TJ/RJ, determinou a suspensão da exibição do especial de Natal ‘A Primeira Tentação de Cristo’, promovido pelo grupo de humor Porta dos Fundos, na plataforma de streaming Netflix. Em resumo, a polêmica foi o fato de Jesus ter sido representado como homossexual, além de um triângulo amoroso entre Maria, Deus e José.

Movido pela curiosidade, assisti a esse especial de Natal, que foi uma sátira (diferente de blasfêmia), e não gostei, embora o Porta dos Fundos tenha outros vídeos satíricos excelentes. Assim como eu, tantas outras pessoas também não gostaram desse especial de Natal. Alguns cristãos mais fervorosos ficaram revoltados e passaram a fazer coro à ‘censura’ do vídeo. Atitude compreensível, claro, mas é preciso problematizar a situação para não cairmos nas armadilhas do perigo da ‘censura’.

Inicialmente, é necessário entender que o fato de alguém não gostar de algo não implica dizer que todos devam deixar de gostar. É muito difícil haver homogeneidade dentro de um determinado grupo. Este não é um bloco monolítico. E essa suposta unanimidade ou esse ilusório consenso não existe nem no meio cristão. Inúmeros cristãos, inclusive líderes religiosos, posicionaram-se contra a suspensão judicial da exibição do filme do Porta dos Fundos.

Exatamente aqui é que mora o perigo de o Judiciário determinar se o vídeo humorístico deva ser veiculado ou não, pois é muito difícil estabelecer um critério claro para definir uma decisão nesse sentido, o que pode redundar num subjetivismo autoritário, pelo grau de indeterminação do conteúdo, além de proporcionar um precedente para futuras proibições e suspensões abusivas. Para isso, lembremo-nos dos inúmeros exemplos de perseguição à arte em períodos autoritários da história.”

Fonte: https://saude.abril.com.br/bem-estar/vicio-em-tecnologia-abala-a-qualidade-de-vida/

Proposta de redação 20N08A – dissertação – Fuvest, Vunesp, Uniube, Famema, Famerp, etc.

Em uma dissertação, responde a seguinte pergunta: deve haver limites para o humor?

Instruções para a dissertação da proposta de redação A:

  1. A situação de produção de uma dissertação argumentativa requer o uso da norma padrão da língua portuguesa.
  2. O tamanho da redação deverá ser adequado ao concurso pretendido, para tanto é importante que o texto deva ser adequado aos seguintes limites impostos pelas universidades até 2019: entre 20 e 30 linhas (Fuvest), 15 a 33 linhas (Vunesp), 25 e 30 linhas (Uniube), etc. Por isso, é imprescindível que a universidade pretendida seja informada com destaque logo após o código da proposta de redação na folha que será entregue para a correção. Do contrário, a correção levará em consideração a norma mais comum: 25 linhas como mínimo e 30 como máximo.
  3. Dê um título a sua redação.

Proposta de redação 20N08B – dissertação – Enem.

A partir da leitura dos textos motivadores e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija texto dissertativo-argumentativo na modalidade escrita formal da língua portuguesa sobre o tema “Humor e liberdade de expressão no Brasil.”, apresentando proposta de intervenção, que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista.

Instruções para a dissertação no Enem:

  1. O rascunho da redação deve ser feito no espaço apropriado.
  2. O texto definitivo deve ser escrito à tinta, na folha própria, em até 30 linhas.
  3. A redação com até 7 (sete) linhas escritas será considerada “insuficiente” e receberá nota zero.
  4. A redação que fugir ao tema ou que não atender ao tipo dissertativo-argumentativo receberá nota zero.
  5. A redação que apresentar proposta de intervenção que desrespeite os direitos humanos receberá nota zero.
  6. A redação que apresentar cópia dos textos da Proposta de Redação ou do Caderno de Questões terá o número de linhas copiadas desconsiderado para efeito de correção.

Texto (s) de apoio para as situações C, D e E.

O bom humor faz bem para saúde

O bom humor é, antes de tudo, a expressão de que o corpo está bem

Por Fábio Peixoto

access_time31 out 2016, 18h36 – Publicado em 31 jul 2000,

“Procure ver o lado bom das coisas ruins.” Essa frase poderia estar em qualquer livro de auto-ajuda ou parecer um conselho bobo de um mestre de artes marciais saído de algum filme ruim. Mas, segundo os especialistas que estudam o humor a sério, trata-se do maior segredo para viver bem. Não é difícil encontrar exemplos que comprovam que eles têm razão. Como um palmeirense poderia manter o alto-astral depois que seu time perdeu a final da Taça Libertadores da América, em 2000? Fácil. É só lembrar que o Palmeiras eliminou o arqui-rival Corinthians nas semifinais da competição. Inversamente, a mesma situação pode servir para manter o bom humor do corinthiano. Afinal, embora seu time tenha sido eliminado, o Palmeiras acabou morrendo na praia. Não se trata de ver o mundo com os olhos róseos de Pollyanna. Esse tipo de flexibilidade para encarar os acontecimentos ruins não garante apenas algumas risadas: pode fazer bem para a saúde.

O bom humor é, antes de tudo, a expressão de que o corpo está bem. Ele depende de fatores físicos e culturais e varia de acordo com a personalidade e a formação de cada um. Mas, mesmo sendo o resultado de uma combinação de ingredientes, pode ser ajudado com uma visão otimista do mundo. “Um indivíduo bem-humorado sofre menos porque produz mais endorfina, um hormônio que relaxa”, diz o clínico geral Antônio Carlos Lopes, da Universidade Federal de São Paulo. Mais do que isso: a endorfina aumenta a tendência de ter bom humor. Ou seja, quanto mais bem-humorado você está, maior o seu bem-estar e, consequentemente, mais bem-humorado você fica. Eis aqui um círculo virtuoso, que Lopes prefere chamar de “feedback positivo”. A endorfina também controla a pressão sanguínea, melhora o sono e o desempenho sexual. (Agora você se interessou, né?)

Mas, mesmo que não houvesse tantos benefícios no bom humor, os efeitos do mau humor sobre o corpo já seriam suficientes para justificar uma busca incessante de motivos para ficar feliz. Novamente Lopes explica por quê: “O indivíduo mal-humorado fica angustiado, o que provoca a liberação no corpo de hormônios como a adrenalina. Isso causa palpitação, arritmia cardíaca, mãos frias, dor de cabeça, dificuldades na digestão e irritabilidade”. A vítima acaba maltratando os outros porque não está bem, sente-se culpada e fica com um humor pior ainda. Essa situação pode ser desencadeada por pequenas tragédias cotidianas – como um trabalho inacabado ou uma conta para pagar –, que só são trágicas porque as encaramos desse modo.

Evidentemente, nem sempre dá para achar graça em tudo. Há situações em que a tristeza é inevitável – e é bom que seja assim. “Você precisa de tristeza e de alegria para ter um convívio social adequado”, diz o psiquiatra Teng Chei Tung, do Hospital das Clínicas de São Paulo. “A alegria favorece a integração e a tristeza propicia a introspecção e o amadurecimento.” Temos de saber lidar com a flutuação entre esses estágios, que é necessária e faz parte da natureza humana. O humor pode variar da depressão (o extremo da tristeza) até a mania (o máximo da euforia). Esses dois estados são manifestações de doenças e devem ser tratados com a ajuda de psiquiatras e remédios que regulam a produção de substâncias no cérebro. Uma em cada quatro pessoas tem, durante a vida, pelo menos um caso de depressão que mereceria tratamento psiquiátrico.

Enquanto as consequências deletérias do mau humor são estudadas há décadas, não faz muito tempo que a comunidade científica passou a pesquisar os efeitos benéficos do bom humor. O interesse no assunto surgiu há vinte anos, quando o editor norte-americano Norman Cousins publicou o livro Anatomia de uma Doença, contando um impressionante caso de cura pelo riso. Nos anos 60, ele contraiu uma doença degenerativa que ataca a coluna vertebral, chamada espondilite ancilosa, e sua chance de sobreviver era de apenas uma em quinhentas. Em vez de ficar no hospital esperando para virar estatística, ele resolveu sair e se hospedar num hotel das redondezas, com autorização dos médicos. Sob os atentos olhos de uma enfermeira, com quase todo o corpo paralisado, Cousins reunia os amigos para assistir a programas de “pegadinhas” e seriados cômicos na TV. Gradualmente foi se recuperando até poder voltar a viver e a trabalhar normalmente. Cousins morreu em 1990, aos 75 anos.

Se Cousins saiu do hospital em busca do humor, hoje há muitos profissionais de saúde que defendem a entrada das risadas no dia-a-dia dos pacientes internados. O mais radical deles é Patch Adams, um médico americano que começou no mês passado a construir o primeiro “hospital bobo” do mundo. Adams quer que os doentes dêem risadas enquanto se recuperam. Uma boa gargalhada é um método ótimo de relaxamento muscular. Isso ocorre porque os músculos não envolvidos no riso tendem a se soltar – está aí a explicação para quando as pernas ficam bambas de tanto rir ou para quando a bexiga se esvazia inadvertidamente depois daquela piada genial. Quando a risada acaba, o que surge é uma calmaria geral. Além disso, se é certo que a tristeza abala o sistema imunológico, sabe-se também que a endorfina, liberada durante o riso, melhora a circulação e a eficácia das defesas do organismo.

A alegria também aumenta a capacidade de resistir à dor, graças também à endorfina. Vários estudos já comprovaram isso, alguns deles bem engraçados. Uma dessas pesquisas colocou um grupo com as mãos dentro de um balde de água gelada enquanto passava um filme humorístico. Essas pessoas ficavam com as mãos na água mais tempo que outros sem estímulo divertido.

Evidências como essa fundamentam o trabalho dos Doutores da Alegria, que já visitaram 170 000 crianças em hospitais. As invasões de quartos e UTIs feitas por 25 atores vestidos de “palhaços-médicos” não apenas aceleram a recuperação das crianças, mas motivam os médicos e os pais. A psicóloga Morgana Masetti acompanha os Doutores há sete anos. “É evidente que a trabalho diminui a medicação para os pacientes”, diz ela.

O princípio que torna os Doutores da Alegria engraçados tem a ver com a flexibilidade de pensamento defendida pelos especialistas em humor – aquela idéia de ver as coisas pelo lado bom. “O clown não segue a lógica à qual estamos acostumados”, diz Morgana. “Ele pode passar por um balcão de enfermagem e pedir uma pizza ou multar as macas por excesso de velocidade.” Para se tornar um membro dos Doutores da Alegria, o ator passa num curioso teste de autoconhecimento: reconhece o que há de ridículo em si mesmo e ri disso. “Um clown não tem medo de errar – pelo contrário, ele se diverte com isso”, diz Morgana. Nem é preciso mencionar quanto mais de saúde haveria no mundo se todos aprendêssemos a fazer o mesmo.

Fonte: https://super.abril.com.br/saude/o-bom-humor-faz-bem-para-saude/

Proposta de redação 20N08C – outros gêneros – Unicamp, UEL, UnB, UFU, etc.

Faça um relato em que uma situação engraçada e cotidiana seja o estopim para a mudança de comportamento de uma pessoa.

Proposta de redação 20N08D – outros gêneros argumentativos – Unicamp, UEL, UnB, UFU, etc.

Redija uma carta argumentativa endereçada ao Porta dos Fundos em que você apresente a sua posição sobre a polêmica acerca do último especial de Natal produzido por esse grupo publicado no Netflix em dezembro de 2019.

Proposta de redação 20N08E – outros gêneros argumentativos – Unicamp, UEL, UnB, UFU, etc.

Escreva um artigo de opinião sobre as relações entre liberdade de expressão, democracia e humor.

Instruções para as propostas de redação C, D e E:

Leia com atenção todas as instruções.

  1. Você encontrará três situações para fazer sua redação. Leia as situações propostas até o fim e escolha a proposta com a qual você tenha maior afinidade.
  2. Após a escolha de um dos gêneros, assinale a opção no alto da Folha de Resposta e, ao redigir seu texto, obedeça às normas do gênero.
  3. Se for o caso, dê um título para sua redação. Esse título deverá deixar claro o aspecto da situação escolhida que você pretende abordar.
  4. Se a estrutura do gênero selecionado exigir assinatura, escreva no lugar da assinatura: JOSÉ ou JOSEFA.
  5. Em hipótese alguma, escreva seu nome, pseudônimo, apelido, etc. na folha de prova.
  6. Utilize trechos dos textos motivadores, parafraseando-os.
  7. Não copie trechos dos textos motivadores, ao fazer sua redação.

ATENÇÃO: se você não seguir as instruções da orientação geral e as relativas ao tema que escolheu, sua redação será penalizada.

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