Tema de redação 20MUV04 e sugestões de leitura – Tecnologia e memória (20MUV04A) e futuro do trabalho (20MUV04B) (UFU)


Estudos para o tema de redação 20MUV0

Palavras-chave – tecnologia, TICs, Era da Informação, Dilúvio da informação, dependência tecnológica, automação, pós-humanismo, ciborgue, cyberpunk, computador, smartphone, convergência tecnológica, trabalho, futuro do trabalho, substituição tecnológica, profissões do futuro, educação.

Texto 20TUV07

Texto 20TUV08

Tema de redação 20MUV04

REDAÇÃO

ORIENTAÇÃO GERAL

Leia com atenção todas as instruções.

A) Você encontrará três situações para fazer sua redação. Leia as situações propostas até o fim e escolha a proposta com a qual você tenha maior afinidade.
B) Após a escolha de um dos gêneros, assinale a opção no alto da Folha de Resposta e, ao redigir seu texto, obedeça às normas do gênero.
C) Se for o caso, dê um título para sua redação. Esse título deverá deixar claro o aspecto da situação escolhida que você pretende abordar.
D) Se a estrutura do gênero selecionado exigir assinatura, escreva no lugar da assinatura: JOSÉ ou JOSEFA.
E) Em hipótese alguma, escreva seu nome, pseudônimo, apelido, etc. na folha de prova.
F) Utilize trechos dos textos motivadores, parafraseando-os.
G) Não copie trechos dos textos motivadores ao fazer sua redação.

ATENÇÃO: se você não seguir as instruções da orientação geral e as relativas ao tema que escolheu, sua redação será penalizada.

SITUAÇÃO A

Como fica a memória com o avanço da tecnologia
GILBERTO STAM, 15 DE SETEMBRO DE 2016

No começo dos anos 2000, o cientista Gordon Bell, da Microsoft, iniciou um projeto ambicioso: criar um arquivo digital de todas as suas interações com o mundo. Assim, carregou durante anos uma pequena câmera pendurada no pescoço, a SenseCam. Equipado com sensores que detectavam mudanças de luminosidade ou a presença de uma pessoa próxima, o dispositivo era capaz de tirar fotos e gravar vídeos automaticamente. Registrou conversas, passeios, todos os sites que visitou na internet, os documentos em que trabalhava, todo e-mail que enviava. O GPS rastreava continuamente sua localização, permitindo a criação de diários visuais de viagens.
Batizada de MyLifeBits, a extrema empreitada de Bell já não soa tão excêntrica nos dias de hoje, mais de uma década depois. Temos à mão hardwares portáteis para registrar imagens e dados quando quisermos. Muitos de nós já nem lembram direito o próprio número de telefone, e as redes sociais cada vez mais ajudam a lembrar de eventos e aniversários. Estaríamos mais esquecidos ou simplesmente não memorizamos dados que podemos conseguir com facilidade? Basicamente, qualquer informação está acessível para quem está conectado à internet. Não por acaso, sites de busca, como o Google, começaram a preocupar professores, ao menos os mais tradicionais – afinal, do que adianta um aluno copiar, colar e depois esquecer o assunto que pesquisou? Recentemente, profissionais de diversas áreas, inclusive das neurociências, passaram a questionar os efeitos da internet no estudo e na memória, conferindo novas dimensões ao debate. A preocupação central está na subutilização da memória, que, como um músculo, funciona melhor quando exercitada. Estariam as facilidades tecnológicas afetando seu desempenho?

Técnicas de memorização
Incomodado com a sensação de esquecer várias coisas e com o hábito de usar post-its de forma obcecada, o jornalista americano Joshua Foer decidiu exercitar sua memória. Aprendeu uma técnica antiga chamada Palácio da Memória, que consiste basicamente em visualizar um local que se conhece bem – como a casa da infância – e colocar uma imagem visual, de preferência inusitada, em lugares específicos, de forma que ajudem a lembrar itens de uma lista. Por exemplo, o leite de uma lista de supermercado pode ser memorizada como uma vaca colorida em algum local da casa. Graças à técnica, Foer foi campeão de memória dos Estados Unidos em 2006, depois de um ano de treinamento. Nesse tipo de campeonato, os participantes realizam proezas como memorizar dezenas de nomes, a sequência de cartas em um baralho ou um número de 100 dígitos em poucos minutos.
O jornalista conta sua experiência no livro “A arte e a ciência de memorizar tudo” (editora Nova Fronteira, 2012), no qual faz um panorama histórico da chamada arte da memória e do conhecimento que a neurociência já acumula sobre o assunto. Seriam os exercícios de memória – tema, aliás, que sustenta todo um mercado de publicações e cursos on-line – a solução para a amnésia contemporânea? Aparentemente não, pois, mesmo depois de se sagrar campeão, Foer saiu com os amigos e voltou de metrô, esquecendo que tinha ido de carro. No dia a dia, voltou a usar post-it e a recorrer à internet para se lembrar de informações. Descobriu que sua memória não mudou apenas com o uso de uma técnica específica.
Esquecer, porém, não é necessariamente um problema. “Esquecer e lembrar fazem parte do mesmo processo. Não há como arquivar todas as informações no cérebro, por isso é preciso selecionar”, diz o neurocientista André Frazão, coordenador do Laboratório de Cognição da Universidade de São Paulo (USP). “O problema é que queremos lembrar de tudo e reclamamos quando não conseguimos.”
Mas por que nos esquecemos de uma informação importante? A falha, nesse caso, não está na memória em si, mas na estratégia usada para registrar a informação. “Por exemplo, no estacionamento de um shopping, não adianta nada lembrar a cor do carro do lado. Na realidade, quando esquecemos de algo, é provável que nunca tenhamos registrado de fato a informação”, ressalta Frazão. Da mesma forma que o carro na garagem, que pode ser localizado pelo setor do estacionamento, as lembranças também possuem pistas para a sua localização. Elas são as chamadas associações. Por exemplo, será mais fácil lembrar o tal setor se você perceber que a letra é a inicial de um grande amigo e o número, o primeiro dígito da sua idade. “Lembrar não significa arquivar informações automaticamente, mas construir uma teia de conceitos e dar valor a essas informações”, explica o neurocientista.
A memória, nesse processo, é apenas um dos fenômenos por trás da lembrança. “Além dela, também são importantes a atenção, as emoções e a percepção”, diz Hamilton Haddad, professor do Departamento de Fisiologia do Instituto de Biociências da USP. A própria memória não é uma só, podendo ser dividida em vários tipos. Em uma competição de memória, é usada a memória declarativa. Temos também a implícita, que é a memória de coisas que sabemos fazer, mas não sabemos explicar.

Aprender X Decorar
Mas, se vencer um campeonato ou lembrar onde o carro ficou estacionado tem uma função óbvia, o que promove a memória no caso do aprendizado? “Uma das motivações fundamentais pode ser o prazer da descoberta, graças ao poder explicativo da ciência”, afirma Frazão. Conforme o conhecimento se acumula, uma das dificuldades pode ser abrir mão do antigo para investir em coisas novas. “O conteúdo do ensino já está muito avançado, por isso a escola deveria dedicar uma parte do tempo a se debruçar sobre problemas novos, como a neurociência ou a violência nas cidades”, diz o neurocientista.
Sair da decoreba para preconizar o aprendizado significativo pode implicar para alguns, no entanto, mudanças no cumprimento do currículo escolar. “Quando a escola deixa de focar a quantidade, dá para ensinar de forma vivenciada através de experimentos e leitura crítica, o que ajuda a formar memórias de longo prazo”, diz Sérgio Américo Boggio, diretor de tecnologia aplicada à educação do Colégio Bandeirantes, em São Paulo.
O aprendizado significativo funciona porque ajuda a criar novas associações, assim como a usar o conhecimento prévio do aluno, uma ideia amplamente difundida na pedagogia construtivista. “A memória é construída em redes e se vale de informações anteriores. É mais fácil aprender o que é mexerica quando já se conhece a laranja. Mas a informação arquivada precisa ser interpretada. Lembrar é um processo ativo em que a memória ativa o córtex visual e gera padrão semelhante ao da visão”, pontua Frazão. Por essa razão, relacionar o conteúdo com a própria vida ou a própria experiência ajuda a lembrar o que foi aprendido. (…)

Disponível em: https://revistaeducacao.com.br/2016/09/15/como-fica-memoria-com-o-avanco-da-tecnologia/

Proposta de redação 20MUV04A

Escreva um texto de divulgação científica sobre as consequências do uso contínuo e intenso de Tecnologias da Informação e da Comunicação (TICs) para a memória e o repertório cultural de crianças e jovens.

SITUAÇÃO B

Empregos do futuro: como a tecnologia vai mudar o mercado de trabalho
Acsa Gomes, editado por Elias Silva 10/10/2020 19h00

Bem me quer; mal me quer. A chegada de novas tecnologias, o amadurecimento da Inteligência Artificial e a crescente busca pela automação prometem transformar o mercado de trabalho em todo o mundo. Se o cenário atual com 13 milhões de desempregados no país é desesperador, é hora de se mexer. Segundo previsões do McKinsey Global Institute, a inteligência artificial ameaça cerca de 70% dos empregos em países em desenvolvimento. Só no Brasil, a automação pode afetar quase 16 milhões de empregos…
Não é novidade que os robôs vão tomar o lugar de muitos seres humanos em diversas tarefas. Aliás, este é um dos principais objetivos da robótica: substituir as pessoas, principalmente em atividades que representam risco à vida ou por serem simples e repetitivas demais e não exigirem a capacidade de um ser humano para ser realizada. A verdade é que quanto mais previsível forem as tarefas relacionadas a um emprego, mais passível de automação ele é…
A tecnologia pode, sim, ser ameaçadora para muita gente. Mas também promete abrir portas para aquele profissional que corre atrás, se atualiza e entende o momento que estamos vivendo.
Uma das conclusões do relatório do MGI indica que, sim, surgirão novas vagas de trabalho. Para quem busca emprego, a previsão é que a demanda por competências tecnológicas cresça muito até 2030; e em todos os níveis de capacitação – da informática básica ao analista de dados. Também se espera uma alta na demanda por capacidades emocionais, criativas e sociais… coisas que as máquinas ainda estão bem longe de alcançar.
O brasileiro, assim como outros povos do mundo, vai sofrer com essa transformação digital. Mas se a gente pensar em uma sociedade capaz de se reinventar e, como diz o ditado, “que não desiste nunca”, os avanços tecnológicos podem ser uma ótima oportunidade de crescimento para o país… a ponto de transformar esse “roubo” de empregos pelas máquinas em combustível para um crescimento intelectual do país sem precedentes.
Foi se o tempo em que a empresa dizia o que cada funcionário deveria aprender. Em uma época de democratização da informação – principalmente através da internet – o processo de aprendizagem está totalmente nas mãos do trabalhador. E isso abre oportunidades incríveis. E ninguém precisa esperar para começar…
A adoção do aprendizado contínuo vai ser essencial ao profissional do futuro. E essa revolução tecnológica é agora; afinal, quantas invenções e serviços digitais já mudaram a vida de tantas pessoas?! Sendo otimistas, além de estar preparados é preciso ver essa evolução como uma oportunidade de valorizar o ser humano; nossa inteligência, criatividade… e não simplesmente olhar para a tecnologia só como uma ameaça aos nossos postos de trabalho. É preciso se desenvolver…e, sim, alguns empregos vão mesmo desaparecer.

Disponível em: https://olhardigital.com.br/video/empregos-do-futuro-como-a-tecnologia-vai-mudar-o-mercado-de-trabalho/108518

Proposta de redação 20MUV04B

Redija um editorial sobre as implicações do avanço tecnológico para o campo de profissões que exigem mais qualificação e mais tempo de estudo.

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