Série de temas especiais – vestibulares – 2019EV1 – “transumanismo” (Fuvest, Vunesp, Uniube e outros vestibulares.)

Fonte: “Neuromancer”, 1984, obra precursora da literatura “cyberpunk”. Willian Gibson foi certeiro em vários das suas antevisões neste romance distópico que nos apresenta um futuro sombrio para a humanidade em que praticamente tudo foi virtualizado. Nesse mundo, somos o que nossas “melhorias” definem que somos.

Estudos para tema de redação 2019EV01

Palavras-chave

“Transumanismo”, Era Pós-Humana, “cyborgs”, biotecnologias.

 

Texto 19E-11

https://diplomatique.org.br/o-mito-do-transumanismo/

Texto 19E-12

Texto 19E-13

https://canaltech.com.br/ciencia/transumanismo-e-o-uso-da-tecnologia-para-aprimorar-a-condicao-humana-49223/

Tema de redação 2019EV1

Texto 01.

“Claro que esse momento ia chegar. Usar microchips para tornar nossa memória infinita (não falei melhorar, percebeu!?). Usar hardwares para não precisar dormir, não precisar comer e ter a melhor performance nos esportes do mundo transformando seres humanos em ciborgues imortais. E se der para fazer mais sinapses e aproveitar todo o potencial do nosso cérebro com pequenas pílulas? Tudo isso podia ter saído de um filme ou uma série que ia ser super sucesso, mas quando vivemos na realidade a perspectiva tem de mudar um pouco. E essa realidade tem nome: transumanismo. É abreviado por H+ ou h+.

Esse movimento de super-humanos faz bastante sentido, afinal, o maior objetivo é transformar a condição humana por meio do desenvolvimento de tecnologias. Assim, alcançaríamos a era do pós-humano, já que nossas capacidades intelectuais, físicas e psicológicas serão amplamente melhores. Nada de envelhecimento, sofrimento ou morte. Sim, meu povo, já já a evolução biológica vai rodar em background.”

Fonte: https://epocanegocios.globo.com/colunas/Novos-tempos/noticia/2018/01/transumanismo-os-super-humanos.html

Texto 02.

“Usar a tecnologia para que ela nos permita ‘viver para sempre’ parece uma possibilidade distante, mas, acredite, já há quem esteja trabalhando para que isso se torne realidade em menos tempo do que talvez imaginemos.

O empresário Elon Musk, por exemplo, está trabalhando em um projeto para conectar o cérebro humano a um computador. A ideia é “libertar” o cérebro do corpo, quando este estiver envelhecido, e abrir a porta para uma vida digital…eterna.

Esta e outras tecnologias fazem parte de um movimento chamado ‘transumanismo’, que defende o uso da tecnologia e da inteligência artificial para melhorar a qualidade da vida humana.

Trata-se de usar a tecnologia para aprimorar nosso estado intelectual, físico e psicológico, por meio, por exemplo, do chamado “mind-upload”, expressão criada dentro dessa filosofia para se referir à “transferência da mente” humana para um computador.

Os cientistas dizem que copiar a mente de alguém, suas memórias e personalidade em um computador é possível, em teoria – mas o cérebro tem muitos mistérios.

Ele têm 86 bilhões de neurônios, uma rede produzindo pensamentos via cargas elétricas.”

Fonte: https://www.bbc.com/portuguese/geral-45626956

Texto 03.

“É relativamente consensual que uma era biotecnológica se aproxima (FUKUYAMA, 2002; LECOURT, 2003; BOSTROM, 2005c; JOTTERAND, 2010). Savulescu (2009) prevê que, em um futuro cenário de desenvolvimento biotecnológico, aquele que será instaurado com o progresso tecnológico no século XXI, alterarse-á um dos mais tradicionais dilemas da moralidade. Em vez de enfrentarmos a questão de que atitudes e deveres morais temos para com os seres compreendidos, atualmente, como animais não humanos (por exemplo, gato, cachorro, cavalo, etc.), a questão será que obrigações teremos com outro tipo de não humano, isto é, os chamados pós-humanos.

Para Savulescu (2009), pós-humana é uma dentre outras formas de vida, caracterizada por “seres originalmente ‘evoluídos’ ou desenvolvidos a partir de seres humanos, mas significativamente diferentes, de tal modo que não são mais humanos em qualquer aspecto significativo” (p. 214). Tal estágio seria alcançado através da aplicação de técnicas de manipulação, instrumentalização e artificialização da vida, do patrimônio biológico do humano, acarretando uma mudança de estatuto especista. Quer dizer, o humano, por iniciativa própria e com vistas ao melhoramento da sua natureza, deixaria de ser humano.

Esse hipotético futuro cenário pós-humano instituído pela revolução biotecnológica tem despertado entendimentos, reações e sentimentos opostos. Dentre outras discordâncias, enquanto uns defendem que a condição pós-humana será o resultado mais promissor do real poder beneficente da biotecnociência, pois ela representaria o ápice do melhoramento humano, outros temem que o seu eventual poder maleficente comprometa radical e incontornavelmente a natureza humana e tudo que, tradicionalmente, tem sido fundamentado nela.

Tal questionável dualismo de perspectivas sobre as consequências do melhoramento humano por vias biotecnológicas tem caracterizado um dos mais importantes debates no campo da ética aplicada (BOSTROM; SAVULESCU, 2009). Assim, o futuro da humanidade tem sido perspectivado através de uma problemática e obscurescente oposição binária de tipo “bem versus mal”. De acordo com Bostrom e Savulescu (2009), já se delineia uma linha divisória biopolítica entre aqueles que são pró-melhoramento – ou anti-anti-melhoramento, conforme Buchanan (2011) -, os transumanistas, e aqueles anti-melhoramento, os bioconservadores. Segundo os autores, em linhas gerais, aqueles “acreditam que uma ampla gama de melhorias deve ser desenvolvida e que as pessoas sejam livres para usá-las para transformar-se de maneira completamente radical”; estes, por sua vez, “acreditam que nós não devemos alterar substancialmente a biologia ou a condição humana” (BOSTROM; SAVULESCU, 2009, p. 1). Ainda sobre os bioconservadores, Agar (2004) assevera que eles não são conservadores em um sentido tradicional, mas sim em um mais fundamental, pois “ao invés de tentar proteger alguns modos de agir, eles veem-se como protetores tanto da humanidade quanto do significado humano” (p. 18)..”

Fonte: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-73312014000200341&lng=en&nrm=iso&tlng=pt

Proposta de redação 2019EV1-A – dissertação (USP, Unesp, Uniube, etc.)

Em uma dissertação argumentativa, responda a pergunta abaixo:

Alcançar a condição pós-humana ou do “transumanismo” configura um risco de eugenia de proporções inéditas para a espécie humana? Em quais contextos? Com quais consequências?

Instruções:

  1. Lembre-se de que a situação de produção de seu texto requer o uso da norma padrão da língua portuguesa.
  2. A redação deverá ter entre 25 e 30 linhas.
  3. Dê um título a sua redação.

Deixe uma resposta